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Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Prova do TEEM – Parte 8

Caros colegas,

Nesta última postagem antes da prova, vou repassar as indicações da Profa. Gláucia Mazeto, do Departamento de Tireóide. Ela descreve que os “artigos mais interessantes” para a prova do TEEM são mesmo os guidelines e destaca o guideline da American Thyroid Association (ATA) a respeito da dissecção cervical lateral no tratamento cirúrgico do câncer diferenciado de tireóide (CDT), o guideline da ATA de 2009 sobre o manejo de nódulos tireoidianos e do CDT, o conjunto da ATA e AACE sobre hipertireoidismo (2011), o guideline também da ATA sobre tireoidopatias na gestação e, por último mas tão importante quanto, o guideline da Endocrine Society sobre Vitamina D (2011). Sei que são muitas páginas de informações, mas certamente é uma bibliografia acertada sobre muitas questões sobre essa tema do TEEM, incluindo certamente uma das questões da prova prática.

Grande abraço

André Gustavo P. Sousa

Comissão de Valorização de Novas Lideranças – SBEM 2011-2012

Gláucia Mazeto

Departamento de Tireóide – SBEM – Comissão de Valorização de Novas Lideranças

 

 

FINAL-Standalone-Vitamin-D-Guideline 2011

guideline gestacao 2011

guidelenies 2011 hiper

guidelines 2009 cdt nodulos

guideline disseccao 2012


Escrito por admin em novembro 5th, 2012 :: Arquivado em Endocrinologia,Para prova do TEEM,Prova do TEEM,Tireóide
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PROVA DO TEEM – Parte 7

Caros colegas,

Nesta postagem vamos citar um artigo sugerido pela Dra. Sharon Raicher, que trata de um tema que vem ganhando muita importância nos últimos anos: o surgimento de diabetes mellitus em indivíduos que se submeteram a transplantes. No artigo publicado recentemente por El-Agroudy e cols. foram avaliados a prevalência, os fatores de risco e o prognóstico do diabetes mellitus pós-transplante (NODAT). Pode não ser de conhecimento de todos, mas o surgimento de diabetes após o transplante tem efeitos adversos específicos sobre o resultado do transplante. Em estudos controlados, após o transplante NODAT tem sido associada a uma maior incidência de complicações infecciosas e cardiovasculares, bem como, prejuízo da função do enxerto em longo prazo, além de redução na sobrevida do enxerto. Os resultados do estudo demonstram que o NODAT é frequente e ocorre precocemente após o transplante: durante o seguimento, NODAT ocorreu em 73 pacientes (33,5%) e o intervalo médio entre o transplante e o aparecimento de NODAT foi de 43 ± 94 dias. O início ocorreu durante os primeiros 3 meses em 76,3% dos pacientes; entre 3 e 12 meses, em 13,2% dos casos, e depois de 1 ano em 10,5% dos casos. Outros resultados interessantes incluem: Na análise univariada, os fatores de risco associados com o desenvolvimento de NODAT foram a idade, a história familiar de diabetes mellitus, o peso corporal no momento do transplante, a presença de infecção por HCV, e a utilização de Tacrolimus. As características transplante incluindo o sexo do receptor, doador, causas da doença renal terminal, tempo em diálise antes do transplante, incidência de rejeição aguda, e etnia não foram diferentes entre os grupos. De fato, o surgimento de diabetes após o transplante foi significativamente mais frequente em pacientes em tratamento com Tacrolimus que naqueles pacientes em uso de Ciclosporina (43,8% vs 28,9%, P <0,05).

Houve uma diferença significativa na sobrevida daqueles que desenvolveram diabetes, que tiveram piores resultados. A sobrevida em 5 e 10 anos dos foi, respectivamente, de 81,1% e 69,2% para os pacientes que desenvolveram NODAT, em comparação com 90,3% e 79,5%, respectivamente, para aqueles que não desenvolveram diabetes. Contudo, não houve diferença na sobrevida do enxerto entre os pacientes com diabetes e sem diabetes, bem como não houve diferenças na função renal (creatinina sérica ou clearance de creatinina calculado) a qualquer tempo após o transplante, para pacientes que desenvolveram NODAT em ​​comparação com os que não desenvolveram NODAT.

Vale a pena a leitura do artigo na íntegra.

Risk Factors and Outcomes of New-Onset Diabetes After Transplant: Single-Centre Experience.

Al-Ghareeb SM, El-Agroudy AE, Al Arrayed SM, Al Arrayed A, Alhellow HA; Experimental and Clinical Transplantation, August 2012 (print ahead)

Até mais

André Gustavo P. Sousa

Comissão de Valorização de Novas Lideranças – SBEM 2011-2012

Sharon Raicher Rosenthal

Departamento de Pediatria – Comissão de Valorização de Novas Lideranças


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Prova do TEEM: Parte 4

Pré-diabetes: o que temos de novidades?

Fatores relacionados à progressão e regressão da hiperglicemia na presença do pré-diabetes.

No Diabetes Prevention Trial (n=3234), o maior estudo já realizado para prevenção de diabetes melito tipo 2 (DM) em pacientes com pré-diabetes (PDM, testou-se diferentes tipos de intervenção por 2,8 anos: placebo, mudança de estilo de vida e metformina [1]. A mudança de estilo de vida incluía dieta hipocalórica, caminhadas de 2,5 horas por semana objetivando perda de 7% do peso. Mudança de estilo vida reduziu em 58% a incidência de DM e metformina em 31% comparado com placebo [1]. Na extensão do DPP 88% dos pacientes foram seguidos por 10 anos Diabetes Prevention Trial Observational Study (DPPOS) [2]. Ao grupo metformina, manteve-se a possibilidade de se continuar utilizando-se a medicação. Adicionalmente, ofereceu-se implementação de mudanças de estilo de vida ao grupo metformina e suporte adicional ao grupo mudança de estilo de vida [2]. Tendo em vista que a incidência de DM foi similar nos 3 grupos durante o período de observação do DPPOS, a incidência final, levando-se em conta o período de intervenção do DPP foi 34% menor no grupo mudança de estilo de vida e 18% menor no grupo metformina comparativamente à placebo [2].   No grupo controle do DPPOS houve 19% de reversão para normoglicemia após 10 anos de seguimento [3]. Melhora da função de célula β pancreática, ser mais jovem, perda de peso e intervenção intensiva na mudança do estilo de vida foram fatores independentemente associados à reversão do PDM nesse estudo [4]. Em uma nova análise recentemente publicada, comparou-se a incidência de DM durante o período observacional do DPPOS naqueles pacientes que regrediram pelo menos uma vez a normoglicemia versus aqueles que nunca obtiveram valores normais durante o período de intervenção do DPP [5]. Aqueles que atingiram valores de glicemia normal durante o DPP apresentaram uma redução de risco para evolução para o DM de 56%, sendo maior quanto maior foi o número de vezes que foi atingido valores de glicemia normais ao longo do período de intervenção [5]. Maior sensibilidade à insulina e função de célula β pancreática associaram-se a normalização da glicemia durante o DPPOS, enquanto que o oposto ocorreu para predição do DM, com pior sensibilidade à insulina e pior função de célula β pancreática aumentando o risco para o desenvolvimento do DM. Em relação aos que não regrediram à normoglicemia, o grupo de mudança do estilo de vida foi o que apresentou o maior risco para o desenvolvimento do DM.

Pré-diabetes e doença cardiovascular : o que temos de novidades?

No estudo ORIGIN, recentemente publicado, 12.536 pacientes com alto risco cardiovascular e PDM ou DM foram randomizados a duas estratégias de intervenção durante 6,2 anos: suplementação com 1g de ômega 3 vs placebo e insulina glargina vs placebo(desenho fatorial 2×2). A incidência de eventos cardiovasculares, morte por qualquer causa ou por arritmia não foi diferente nos que receberam ômega 3 vs placebo. Quanto a comparação da insulina glargina vs placebo, a insulina apresentou efeito neutro sobre desfechos cardiovasculares e câncer, reduziu o aparecimento de diabetes três meses após o encerramento da intervenção, aumentou o risco para hipoglicemia e causou aumento modesto de peso [6, 7].

Fernando Gerchman

Vice-presidente da Comissão de Valorização de Novas Lideranças – SBEM 2011-2012

Referências

1.         Knowler, W.C., et al., Reduction in the incidence of type 2 diabetes with lifestyle intervention or metformin. N Engl J Med, 2002. 346(6): p. 393-403.

2.         Knowler, W.C., et al., 10-year follow-up of diabetes incidence and weight loss in the Diabetes Prevention Program Outcomes Study. Lancet, 2009. 374(9702): p. 1677-86.

3.         Tabak, A.G., et al., Prediabetes: a high-risk state for diabetes development. Lancet, 2012. 379(9833): p. 2279-90.

4.         Perreault, L., et al., Regression from pre-diabetes to normal glucose regulation in the diabetes prevention program. Diabetes Care, 2009. 32(9): p. 1583-8.

5.         Perreault, L., et al., Effect of regression from prediabetes to normal glucose regulation on long-term reduction in diabetes risk: results from the Diabetes Prevention Program Outcomes Study. Lancet, 2012. 379(9833): p. 2243-51.

6.         Bosch, J., et al., n-3 fatty acids and cardiovascular outcomes in patients with dysglycemia. N Engl J Med, 2012. 367(4): p. 309-18.
7.         Gerstein, H.C., et al., Basal insulin and cardiovascular and other outcomes in dysglycemia. N Engl J Med, 2012. 367(4): p. 319-28.

 


Escrito por admin em outubro 18th, 2012 :: Arquivado em Diabetes,Para prova do TEEM,Prova do TEEM
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