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Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Dekkers OM, Lagro J, Burman P, Jorgensen JO, Romjin JA, Pereira AM. Recurrence of hyperprolactinemia after withdrawl of dopamine agonists: systematic review and meta-analysis. J Clin Endocrinol 2010;95(1): 43-51

O prolactinoma representa o adenoma hipofisário mais freqüente e sua terapêutica de escolha é a medicamentosa, com o uso de agonistas dopaminérgicos (AD). A possibilidade de manutenção de normoprolactinemia após suspensão da droga vem sendo demonstrada em diversos estudos e controvérsias sobre esse tema foram debatidas no Consenso publicado pela Pituitary Society em 2006. O presente estudo revisou sistematicamente o efeito da retirada de AD em hiperprolactinemia idiopática e prolactinomas, em resultados publicados de 1970  a julho de 2008.

Foram incluídos estudos que preenchiam os seguintes critérios:

  • Relato do valor de referência normal para prolactina (PRL) sérica
  • Duração do tratamento com AD por no mínimo 3 meses e obtenção de normoprolactinemia durante o mesmo
  • Tempo de seguimento após suspensão de AD com persistência de normoprolactinemia por no mínimo 6 meses
  • Taxa máxima de radioterapia de até 20% dos casos em cada estudo
  • Relato das variáveis como idade, sexo, tipo de AD e duração do tratamento.

Coortes com dados duplicados não foram incluídos. Partindo de 754 estudos identificados, 60 permaneceram para maior análise após avaliação dos títulos e resumos. Desses 60, apenas 19 preenchiam os critérios de inclusão acima referidos.

Em nove estudos, os pacientes foram tratados de acordo com um protocolo pré-especificado. O número de pacientes incluídos em cada trabalho variou de 2 a 221, sendo o número total de pacientes na metanálise de 743. Os pacientes foram estratificados por etiologia: 49 com hiperprolactinemia idiopática, 353 com microprolactinomas e 159 com macroprolactinomas. A porcentagem de pacientes que mantiveram normoprolactinemia após suspensão de AD variou de 0 a 74%, sendo esse último dado obtido com o uso de cabergolina em pacientes com hiperprolactinemia idiopática. Na metanálise, a média de pacientes que mantiveram normoprolactinemia após suspensão do AD foi de 21%, sendo 35% nos estudos com cabergolina e 20% nos estudos com bromocriptina (p=0,07). Estratificando os resultados por causa de hiperprolactinemia, a porcentagem foi de 32% em idiopática, 21% em microprolactinomas e 16% em macroprolactinomas. A porcentagem de normoprolactinemia também foi maior nos estudos com tratamentos de mais de 24 meses (34% vs 16%; p=0,015). Excluindo os resultados do estudo de Colao et al 2007 (Clin Endocrinol), no qual se obtiveram os melhores resultados, a porcentagem foi reduzida para 17% em hiperprolactinemia idiopática, 19% em microprolactinomas e 12% em macroprolactinomas. Provavelmente, as maiores proporções foram obtidas nesse referido estudo por haver critérios mais rigorosos para retirada da AD. Mesmo assim, a metanálise conclui que alguma proporção dos pacientes com hiperprolactinemia apresentarão normoprolactinemia após retirada de AD, especialmente após 2 anos de tratamento.


Escrito por admin em abril 8th, 2010 :: Arquivado em Prolactinomas
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