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Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Prova do TEEM – Parte 2

Olá colegas,

Como já havíamos adiantado, começo essa postagem indicando a leitura de um artigo que traz importantes informações sobre a Irisina, uma proteína identificada recentemente, mas que alvo de destaque nos congressos de endocrinologia em 2012, por isso da minha aposta em alguma questão.

Sabe-se que o exercício é capaz de melhorar vários parâmetros metabólicos relacionados à obesidade e ao diabetes tipo 2 (DM2), entre outras coisas por aumentar o gasto energético. Alguns dos principais efeitos do exercício nos músculos são mediados pela PGC1-a (transcriptional co-activator PPAR-c co-activator-1a). Camundongos transgênicos expressando PGC1-a seletivamente no músculo são resistentes à obesidade e ao DM2. Dessa forma, foi pensado que fatores secretados pelo músculo poderiam influenciar no gasto energético. Nesse artigo, Boström et al descrevem um novo hormônio polipeptídeo, a Irisina, que é regulada pelo PGC1-a, secretada pelo tecido muscular para a corrente sanguínea e é capaz de ativar a função termogênica nos tecidos adiposos. Entre seus efeitos se inclui a capacidade de modificação do tecido adiposo branco (“escurecimento”) in vivo e in vitro, isto é, um tecido adiposo branco com algumas funções metabólicas de tecido adiposo marrom (tecido adiposo “bege”). Portanto, a modulação desse hormônio tem potencial terapêutico visto que a Irisina administrada de forma exógena induz o “escurecimento” do tecido adiposo subcutânea bem como induz a termogênese, e provavelmente poderia ser preparada e utilizada por via subcutânea. O aumento da formação do tecido adiposo marrom / bege tem sido demonstrado que possuem efeitos anti-obesidade e antidiabético. Dessa forma, a Irisina pode ser um tratamento para doenças metabólicas humanas ou outras doenças que são melhoradas com o exercício.

 

Referência:

A PGC1-a-dependent myokine that drives brown-fat-like development of white fat and thermogenesis.

 

Pontus Boström, Jun Wu, Mark P. Jedrychowski, Anisha Korde, Li Ye, James C. Lo, Kyle A. Rasbach, Elisabeth Almer Boström, Jang Hyun Choi, Jonathan Z. Long, Shingo Kajimura, Maria Cristina Zingaretti, Birgitte F. Vind, Hua Tu, Saverio Cinti, Kurt Højlund, Steven P. Gygi & Bruce M. Spiegelman.

 

Nature 2012, vol 481, p463-469.


Escrito por admin em setembro 25th, 2012 :: Arquivado em Diabetes,Para prova do TEEM,Prova do TEEM
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Inibidores de DPP-4 e Redução de Fraturas Ósseas – Diabetes Care Nov 2011

Caros Colegas,

Neste mês trago para vocês um artigo recém publicado na Diabetes Care de Novembro, que dá mais um ponto para os inibidores de DPP-4 na disputa de mercado com a pioglitazona. Trata-se do artigo: Dipeptidyl Peptidase-4 Inhibitors and Bone fratures: a meta-analysis of randomized clinical trials de Monami e colaboradores.

Como vocês sabem, o diabetes tipo 2 (DM2) é associado com um aumentado risco de fraturas ósseas e esse risco é determinado por vários fatores como maior risco de quedas, complicações diabéticas e comorbidades associadas. Além disso, é conhecido que as tiazolidinedionas estão associadas com redução da densidade mineral óssea (DMO) e consequente maior incidência de fraturas. A insulinoterapia, a despeito de seu efeito neutro sobre a DMO, também está associada a aumento da incidência de fraturas, possivelmente devido ao risco aumentado de quedas relacionadas à hipoglicemia. Portanto, o uso dessas medicações pode ter consequências na saúde óssea do portador de DM2 e esta deve ser levada em consideração na escolha das medicações a serem utilizadas.

Por outro lado, o GLP-1 tem sido implicado na indução de diferenciação de osteoblastos e inibição da atividade dos osteoclastos, bem como agonistas do receptor do GLP-1 estimulam a formação óssea em roedores. Dessa forma, drogas que aumentem os níveis de GLP-1 (como os inibidores de DPP-4) poderiam ter efeitos benéficos sobre o osso.

Então os autores realizaram uma pesquisa nas bases de dados MEDLINE e Embase para estudos randomizados com Vildagliptina, Sitaglipitina, Saxaglipitina, Aloglipitina, Linaglipitina e Dutoglipitina e incluíram apenas os estudos com mais de 24 semanas (média de duração dos estudos incluídos de 35 semanas), em pacientes com DM2. O desfecho primário estudado foi incidência de fratura ósseas, relatadas como evento adverso. Finalmente, foram incluídos 28 estudos que computavam 11800 pacientes usando inibidores de DPP-4 e 9175 pacientes no grupo de comparação (placebo e/ou outras drogas). A idade, sexo, IMC, duração do DM2 e HbA1c basal foram semelhantes entre os grupos.

Os principais resultados foram os seguintes: o número total de fraturas foi 63 (26 no grupo de inibidores de DPP-4 e 37 no grupo de comparação), Mantel-Haenszel Odds Ratio (MH-OR) de 0,6 (IC95% 0,37-0,99, p = 0,045). Quando foram incluídos apenas estudos comparados com placebo, o MH-OR foi de 0,41 (IC95% 0,21-0,81, p = 0,01).

Contudo, os próprios autores do estudo alertam que os resultados dessa meta-análise devem ser recebidos com cautela. A maioria dos estudos incluídos era de curta duração, não se permitindo conclusões sobre os efeitos em longo prazo. Além disso, fraturas ósseas não eram os desfechos principais no momento de realização dos estudos e foram relatadas como eventos adversos e essa análise foi limitada aos casos reportados como eventos adversos sérios, que correspondem a uma fração de todas as fraturas. Há ainda limitações de análises sobre diferenças entre os sexos, estado pré ou pós-menopausa e por sítios de fratura. E ainda, viés de publicação a favor dos inibidores de DPP-4 também não pode ser totalmente excluído.

A despeito das limitações listadas, este estudo sugere que os inibidores de DPP-4 (nesse caso como um efeito de classe, já que foram estudados em grupo) poderiam ter um efeito protetor sobre o osso, mesmo após a exclusão de comparações com tiazolidinedionas e sulfonilureías.

Bem, eu estou, assim como vocês, aguardando os resultados dos outros estudos de segurança dos inibidores de DPP-4, tanto do ponto de vista cardiovascular quanto de saúde óssea. Mas a pista vinda do estudo de Monami e cols. é uma boa notícia.

Até mais

André Gustavo P. Sousa
Comissão de Valorização de Novas Lideranças – SBEM 2011-2012

Referência: Monami M, Antenore A, Dicembrini I, Mannucci E. Dipeptidyl Peptidase-4 Inhibitors and Bone fratures: a meta-analysis of randomized clinical trials. Diabetes Care 34:2474-2476, 2011


Escrito por admin em novembro 8th, 2011 :: Arquivado em Diabetes
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Pesquisa Brasileira Mostra que Exercício Estruturado Beneficia Mais o Controle do Diabetes

A seguir comentários de um artigo recentemente publicado na prestigiada revista JAMA por autores brasileiros do Serviço de Cardiologia e Endocrinologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e dos Programas de Pós-graduação em Ciências Médicas: Cardiologia e Cinências Médicas: Endocrinologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Essa artigo define conduta a respeito de atividade física no paciente com diabetes e foi, inclusive editorial da revista na mesma edição.

Comentários

Pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, realizaram uma revisão sistemática com metanálise de estudos com pacientes diabéticos tipo 2, intervenções de diferentes tipos de treinamento físico, e avaliação da hemoglobina glicada (HbA1c) como desfecho. O artigo, que traz dados de 47 estudos originais e totaliza mais de 8.500 pacientes incluídos, foi publicado no JAMA, e recebeu grande atenção internacional, como editorial no mesmo número do JAMA e comentário no British Medical Journal.

Os efeitos do treinamento físico estruturado (exercício feito sob supervisão profissional e planejamento individual) foram analisados a partir de 23 estudos. Esta forma de exercício se associou à redução dos níveis de HbA1c em comparação a grupos controle não submetidos a treinamento físico. Todos os tipos de treinamento físico estruturado estiveram associados a benefícios sobre o controle glicêmico, sem diferença entre eles: redução absoluta da HbA1c de 0,73% com os exercícios aeróbicos, de 0,57% com os exercícios resistidos e 0,51% com a combinação de ambos.

A análise de sensibilidade indicou que a quantidade de treinamento físico maior do que 150 minutos proporcionou as maiores reduções de HbA1c, enquanto estudos que avaliaram quantidade semanal de 150 minutos ou menos promoveram melhora do controle glicêmico, porém em menor magnitude. Uma vez que as diretrizes usam a quantidade de 150 minutos como a recomendação semanal de exercício, os dados da revisão sugerem quantidades superiores a este ponto de corte para maximizar o benefício.

O estudo também mostrou a eficácia da recomendação de atividade física (quando o paciente é orientado a exercitar-se, sem um planejamento específico e sem ser supervisionado por profissional da área da saúde) sobre a melhora do controle glicêmico. Esta forma de exercício se associou à redução absoluta de HbA1c menor do que aquela obtida com exercício físico supervisionado, de 0.43%. Quando a recomendação de atividade física é associada com orientação de dieta, o controle glicêmico é melhorado no diabetes tipo 2, o que não ocorre se a recomendação de atividade física é realizada isoladamente.

No editorial do JAMA publicado no mesmo número, o Dr. Marco Pahor, da Universidade da Flórida, comentou que evidências sólidas dos últimos anos sugerem que governantes e planos de saúde repensem as políticas de saúde, considerando programas de exercício como estratégias para promover saúde e reduzir gastos com tratamentos, especialmente em populações de alto risco.

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

Umpierre D, Ribeiro PA, Kramer CK, Leitão CB, Zucatti AT, Azevedo MJ, Gross JL, Ribeiro JP, Schaan BD. Physical activity advice only or structured exercise training and association with HbA1c levels in type 2 diabetes: a systematic review and meta-analysis. JAMA. 2011 May 4;305(17):1790-9. Review.


Escrito por admin em julho 6th, 2011 :: Arquivado em Diabetes
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