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Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

PROVA DO TEEM – Parte 7

Caros colegas,

Nesta postagem vamos citar um artigo sugerido pela Dra. Sharon Raicher, que trata de um tema que vem ganhando muita importância nos últimos anos: o surgimento de diabetes mellitus em indivíduos que se submeteram a transplantes. No artigo publicado recentemente por El-Agroudy e cols. foram avaliados a prevalência, os fatores de risco e o prognóstico do diabetes mellitus pós-transplante (NODAT). Pode não ser de conhecimento de todos, mas o surgimento de diabetes após o transplante tem efeitos adversos específicos sobre o resultado do transplante. Em estudos controlados, após o transplante NODAT tem sido associada a uma maior incidência de complicações infecciosas e cardiovasculares, bem como, prejuízo da função do enxerto em longo prazo, além de redução na sobrevida do enxerto. Os resultados do estudo demonstram que o NODAT é frequente e ocorre precocemente após o transplante: durante o seguimento, NODAT ocorreu em 73 pacientes (33,5%) e o intervalo médio entre o transplante e o aparecimento de NODAT foi de 43 ± 94 dias. O início ocorreu durante os primeiros 3 meses em 76,3% dos pacientes; entre 3 e 12 meses, em 13,2% dos casos, e depois de 1 ano em 10,5% dos casos. Outros resultados interessantes incluem: Na análise univariada, os fatores de risco associados com o desenvolvimento de NODAT foram a idade, a história familiar de diabetes mellitus, o peso corporal no momento do transplante, a presença de infecção por HCV, e a utilização de Tacrolimus. As características transplante incluindo o sexo do receptor, doador, causas da doença renal terminal, tempo em diálise antes do transplante, incidência de rejeição aguda, e etnia não foram diferentes entre os grupos. De fato, o surgimento de diabetes após o transplante foi significativamente mais frequente em pacientes em tratamento com Tacrolimus que naqueles pacientes em uso de Ciclosporina (43,8% vs 28,9%, P <0,05).

Houve uma diferença significativa na sobrevida daqueles que desenvolveram diabetes, que tiveram piores resultados. A sobrevida em 5 e 10 anos dos foi, respectivamente, de 81,1% e 69,2% para os pacientes que desenvolveram NODAT, em comparação com 90,3% e 79,5%, respectivamente, para aqueles que não desenvolveram diabetes. Contudo, não houve diferença na sobrevida do enxerto entre os pacientes com diabetes e sem diabetes, bem como não houve diferenças na função renal (creatinina sérica ou clearance de creatinina calculado) a qualquer tempo após o transplante, para pacientes que desenvolveram NODAT em ​​comparação com os que não desenvolveram NODAT.

Vale a pena a leitura do artigo na íntegra.

Risk Factors and Outcomes of New-Onset Diabetes After Transplant: Single-Centre Experience.

Al-Ghareeb SM, El-Agroudy AE, Al Arrayed SM, Al Arrayed A, Alhellow HA; Experimental and Clinical Transplantation, August 2012 (print ahead)

Até mais

André Gustavo P. Sousa

Comissão de Valorização de Novas Lideranças – SBEM 2011-2012

Sharon Raicher Rosenthal

Departamento de Pediatria – Comissão de Valorização de Novas Lideranças


Escrito por admin em novembro 5th, 2012 :: Arquivado em Diabetes,Para prova do TEEM,Prova do TEEM
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