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Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Efeito do Desonumab na Densidade Mineral Óssea e Turnover Ósseo em Mulheres na Pós-Menopausa

Bone HG, Bolognese MA, Yuen CK, Kendler DL, Wang H, Liu Y, San Martin J.

J Clin Endocrinol Metab, June 2008, 93(6):2149-2157.

Comentário: Érico Higino de Carvalho

Serviço de Endocrinologia do IMIP – Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira.

Escola Pernambucana de Medicina – FBV/IMIP.

A regulação da remodelação óssea mediada pelo sistema RANK – RANKL – OSTEOPROTEGERINA, é considerado como um dos principais responsáveis pelo recrutamento, ativação e sobrevivência dos osteoclastos. O estado de privação estrogênica da menopausa ativa os osteoclastos, mediados pelo RANKL, desencadeando uma reabsorção óssea acentuada. A inibição natural do RANKL é feita pela Osteoprotegerina (OPG), que impede a sua ligação com o RANK, e conseqüente ativação osteoclástica. O Desonumab é um anticorpo monoclonal que atua semelhante à OPG e compete com o RANKL, inibindo a ativação e atuação osteoclástica. A inibição do RANKL pelo Desonumab já havia sido descrita anteriormente em estudos pré-clínicos, mostrando aumento da massa óssea, com sugestão de uso a cada seis meses. O uso por tempo prolongado (dois anos) em mulheres pós-menopausadas foi realizado por Bone e colaboradores, e revelou novos dados acerca do tratamento para osteoporose.

Os investigadores estudaram 332 mulheres osteopênicas (DMO lombar entre -1.0 e -2,5 DP) que foram randomizadas para utilizar 60 mg de Desonumab, SC, a cada 6 meses ou placebo, divididas em dois grupos, com mais de 5 anos ou com menos 5 anos de menopausa. O desfecho final primário foi a mudança de densidade mineral na coluna lombar e secundários foram as modificações na densitometria mineral óssea do fêmur, rádio distal e corporal total, as mudanças na densitometria volumétrica, na análise estrutural e marcadores de remodelação, além da segurança da medicação.

Os ganhos de massa óssea na coluna lombar foram bem evidentes com o Desonumab (6,5% versus -0,6%; com p<0.0001) independente do tempo de menopausa, assim como nos outros sítios estudados (p< 0.0001). Houve aumento na densitometria volumétrica no rádio distal (p<0.001), melhora na análise estrutural e diminuição nos marcadores de reabsorção (C-telopeptídeo e fosfatase ácida tartrato-resistente ) e formação óssea (propeptídeo do procolágeno 1 aminoterminal).

Apesar de não haver diferença estatisticamente significante entre o Desonumab e placebo em relação a efeitos colaterais, mais indivíduos com a medicação apresentaram infecções e necessitaram de internação hospitalar que o grupo placebo. O número de fraturas clínicas foi pequeno, sendo maior no grupo placebo, mas a diferença não mostrou significância estatística.

Os dados desse estudo confirmam um predomínio de ação do Desonumab no osso cortical, que tende a declinar mesmo em tratamento com bisfosfonatos. Também reforçam a ação da medicação tanto na menopausa precoce como na tardia, apesar dos distintos padrões de perda de massa óssea de cada fase. Entretanto os maiores índices de infecções e aumento das internações precisam ser mais bem monitorados nos usuários do Desonumab.

Considerando a praticidade, com apenas duas aplicações anuais, o baixo índice de efeitos colaterais e ação específica do Desonumab, seu uso clínico parece promissor. Contudo a necessidade de estudos mostrando redução de fraturas é fundamental para sua aplicação prática, inclusive comparando com os bisfosfonatos, principal recurso terapêutico para osteoporose, com ação comprovada na redução de fraturas.


Posted by admin on julho 28th, 2008 :: Arquivado em Metabolismo Ósseo
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