Andrea Glezer, , " />

Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

“Diabetes insipidus agudo em lesão encefálica grave: um estudo prospectivo”, comentado por Andrea Glezer.

Os neurônios dos núcleos hipotalâmicos, supra-óptico e paraventricular, produzem o hormônio antidiurético, ADH, que é secretado pela hipófise posterior. O ADH é responsável pela manutenção da osmolalidade plasmática e sua deficiência é a causa do diabetes insipidus central.

O hipotálamo contém a rede capilar mais densa do cérebro e sua irrigação se dá por pequenos ramos terminais das artérias carótidas internas e basilar. Portanto, traumas cranioencefálicos podem afetar a irrigação desses núcleos, levando ao diabetes insipidus agudo, e, em geral, transitório. Os jovens são vítimas freqüentes de traumas por violência e acidentes de trânsito; e o traumatismo craniano vem sendo reconhecido cada vez mais como importante etiologia de hipopituitarismo e de diabetes insipidus.

No entanto, poucos são os estudos bem conduzidos sobre diabetes insipidus e trauma. Na University of Southern California, um estudo prospectivo foi realizado para avaliação do diabetes insipidus em pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva Cirúrgica, portadores de lesão craniana grave. O escore utilizado para essa definição foi o AIS  3 (Abbreviated Injury Scale). Nesta escala, a pontuação 6 é incompatível com a vida.

Uma análise bivariada foi utilizada para identificar os fatores de risco para o diabetes insipidus, tais como: idade, mecanismo de trauma (fechado vs penetrante), pressão arterial, Escala de Coma de Glasgow, Escore de Severidade da Lesão (ISS), AIS das áreas afetadas pelo trauma, fratura de crânio, edema cerebral, hemorragia intracraniana e pneumoencéfalo. Foram avaliados 436 pacientes e a incidência do diabetes insipidus foi de 15,4%. Porém ao estratificar os traumas em dois grupos, penetrantes e não penetrantes, a incidência foi muito maior no trauma penetrante: 40,9% vs 12,5% (p<0,0001).

Os fatores de risco independentes para o aparecimento do diabetes insipidus foram: Escala de Coma de Glasgow  8, edema cerebral e AIS encefálico > 3. O diabetes insipidus foi um fator de risco independente de mortalidade (odds ratio 3,96; p=0,002). Portanto, a hipótese diagnóstica de diabetes insipidus deve estar sempre presente entre os indivíduos vítimas de traumatismo craniano grave, ser prontamente reconhecido e tratado. A presença do diabetes insipidus é um marcador de gravidade.

Fonte: Hadjizacharia P, Beale EO, Inaba K, Chan LS, Demetriades D. Acute diabetes insipidus in severe head injury: a prospective study. J Am Coll Surg. 2008 ;207(4):477-84


Posted by admin on novembro 18th, 2008 :: Arquivado em Diabetes
Tags :: , ,
Você pode deixar uma resposta, ou fazer uma referência em seu próprio site.

Deixe seu comentário

Digite seu comentário abaixo: