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Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Posições Oficiais da Sociedade Brasileira de Densitometria Clínica (SBDens)

Arq Bras Endocrinol Metab 2009; 53: 107-112.

* Dra. Monica Oliveira (vice-presidente da Comissão de Novas Lideranças da SBEM)

O Consenso publicado nos ABE&M, em fevereiro de 2009, é fruto dos trabalhos da SBDens, com apoio de várias sociedades brasileiras ligadas ao metabolismo ósseo de diferentes especialidades, que discutiram as propostas da International Society for Bone Densitometry (ISCD), objetivando validá-las à população brasileira. O resultado do trabalho pode ser acessado na íntegra no site da Entidade.


Escrito por admin em junho 22nd, 2009 :: Arquivado em Aterosclerose,Desintometria,Metabolismo Ósseo
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Serum 25-Hydroxyvitamin D Levels and the Prevalence of Peripheral Arterial Disease

Results from NHANES 2001 to 2004

Michal L. Melamed, Paul Muntner, Erin D. Michos, Jaime Uribarri, Collin Weber, Jyotirmay Sharma, Paolo Raggi

Arterioscler Thromb Vasc Biol. 2008;28:1179-1185

Comentários: Dr. André G. Daher Vianna
Médico do Centro de Diabetes Curitiba
Hospital Nossa Senhora das Graças – Curitiba – PR

O objetivo do estudo foi determinar a associação entre os níveis de 25-hidroxi-vitamina D (25-OH-D) e a prevalência de doença arterial periférica (DAP) na população geral dos EUA.

Foram analizados os dados de 4839 participantes do National Health and Nutricion Examination Survey entre 2001 e 2004 para avaliar a relação entre a 25-OH-D e a DAP (definida como índice tornozelo-braquial <0,9). Este estudo mostra que quanto menor o nível sérico de vitamina D, maior a prevalência de DAP. Comparando os quartis de 25-OH-D, do menor para o maior, a prevalência de DAP foi 8,1%, 5,4%, 4,9% e 3,7% (P<0,001). Após ajuste de múltiplas variáveis como demografia, comorbidades, nível de atividade física e dosagens laboratoriais, a razão de prevalência de DAP foi 1.8 (CI 95%: 1.19, 2.74) comparando o menor com o maior quartil de 25-OH-D (17,8 e 29,2 ng/mL, respectivamente). Segundo cálculos, para cada 10 ng/mL a menos de 25-OH-D a prevalência de DAP aumenta 35% (CI 95%: 1.15, 1.59).

Os resultados deste estudo trazem à tona mais uma ação não-óssea da vitamina D. A vitamina D e seus análogos vêm sendo cada vez mais estudados no tratamento de condições diversas, como algumas doenças cutâneas, proliferativas, inflamatórias, diabetes mellitus, síndrome metabólica, entre outras. A relação entre os níveis de vitamina D e a doença cardiovascular tem sido motivo de controvérsia entre diversos estudos.

Seguem alguns dos mecanismos que podem estar envolvidos nessa relação entre níveis de 25-OH-D e DAP: 1) Sabe-se que as células musculares lisas da parede vascular possuem a enzima 1-α-hidroxilase que ativa localmente a vitamina D circulante. 2) Em modelos animais a vitamina D ativa é um inibidor do sistema renina-angiotensina, além de impedir a hipertrofia das células miocárdicas. 3) Experimentos celulares mostram que a vitamina D e seus análogos possuem propriedades anti-coagulantes. 4) Alguns estudos pequenos relatam que a suplementação de vitamina D produz queda nos níveis da pressão arterial.

Apesar das limitações de um estudo de corte-transversal, este estudo tem uma alta relevância devido à forte relação encontrada entre as duas condições e ao grande tamanho da amostra.


Escrito por admin em junho 2nd, 2008 :: Arquivado em Aterosclerose

Dr. Daniel da Costa Comenta Sobre Efeitos do Rimonabanto

Effect of Rimonabant on Progression of Atherosclerosis in Patients With Abdominal Obesity and Coronary Artery Disease – The STRADIVARIUS Randomized Controlled Trial

Steven E. Nissen, MD; et al. for the STRADIVARIUS Investigators

Comentário Dr. Daniel da Costa Lins membro da comissão de novas lideranças SBEM

JAMA. 2008; 299(13): 1547-1560. Published online April 1, 2008

O Rimonabanto é um antagonista seletivo do receptor canabinóide tipo 1 (CB1), parte do sistema endocanabinoide que apresenta importante ação na regulação do apetite. Estudos publicados nos últimos anos têm demonstrado que o rimonabanto é efetivo na perda de peso e na melhora dos parâmetros metabólicos. O rimonabanto age como uma droga anti-maconha por que apresenta efeitos opostos ao aumento de apetite, antinaúsea e eufóricos dos endocanabinóides.

O STRADIVARUS é um estudo multicêntrico randomizado que avaliou o efeito do rimonabanto na progressão da aterosclerose por 18 meses em 839 pacientes com obesidade visceral e doença arterial coronária usando um USG endovascular. Neste estudo foi observado que os pacientes do braço do rimonabanto apresentaram uma grande perda de peso (4,3 kg vs 0,5 kg) e de cintura abdominal (4,5 cm vs 1,0 cm) quando comparados ao placebo. O grupo da droga também mostrou uma melhora no perfil lipídico, na proteína C reativa e na hemoglobina glicada quando comparado ao placebo.

Entretanto o estudo não demonstrou modificação na percentagem do volume do ateroma nos 2 grupos. Outro achado foi o aumento no numero de eventos psiquiátricos no grupo do rimonabanto quando comparado ao placebo, basicamente ansiedade e depressão (43 % VS 28% respectivamente).

A crítica ao trabalho quando comparado aos outros que usaram o rimonabanto em relação aos efeitos adversos psiquiátricos foi que neste estudo não foram excluídos os pacientes com antecedente ou história atual de depressão ou ansiedade. Outra critica é que não está bem estabelecido se a progressão da aterosclerose pode ser mensurada através da medida da media intimal por USG e o tempo curto de exposição (18 meses) a medicação.

Dois grandes estudos com o rimonabanto estão em andamento (CRESCENDO e AUDITOR) e poderão nos dar estas respostas em relação aos benefícios na aterosclerose, pois claramente a medicação traz benefícios metabólicos importantes e na real incidência de efeitos adversos.


Escrito por admin em abril 29th, 2008 :: Arquivado em Aterosclerose,Endocrinologia Pediátrica,Obesidade