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Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Posições Oficiais da Sociedade Brasileira de Densitometria Clínica (SBDens)

Arq Bras Endocrinol Metab 2009; 53: 107-112.

* Dra. Monica Oliveira (vice-presidente da Comissão de Novas Lideranças da SBEM)

O Consenso publicado nos ABE&M, em fevereiro de 2009, é fruto dos trabalhos da SBDens, com apoio de várias sociedades brasileiras ligadas ao metabolismo ósseo de diferentes especialidades, que discutiram as propostas da International Society for Bone Densitometry (ISCD), objetivando validá-las à população brasileira. O resultado do trabalho pode ser acessado na íntegra no site da Entidade.


Escrito por admin em junho 22nd, 2009 :: Arquivado em Aterosclerose,Desintometria,Metabolismo Ósseo
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Efeito do Desonumab na Densidade Mineral Óssea e Turnover Ósseo em Mulheres na Pós-Menopausa

Bone HG, Bolognese MA, Yuen CK, Kendler DL, Wang H, Liu Y, San Martin J.

J Clin Endocrinol Metab, June 2008, 93(6):2149-2157.

Comentário: Érico Higino de Carvalho

Serviço de Endocrinologia do IMIP – Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira.

Escola Pernambucana de Medicina – FBV/IMIP.

A regulação da remodelação óssea mediada pelo sistema RANK – RANKL – OSTEOPROTEGERINA, é considerado como um dos principais responsáveis pelo recrutamento, ativação e sobrevivência dos osteoclastos. O estado de privação estrogênica da menopausa ativa os osteoclastos, mediados pelo RANKL, desencadeando uma reabsorção óssea acentuada. A inibição natural do RANKL é feita pela Osteoprotegerina (OPG), que impede a sua ligação com o RANK, e conseqüente ativação osteoclástica. O Desonumab é um anticorpo monoclonal que atua semelhante à OPG e compete com o RANKL, inibindo a ativação e atuação osteoclástica. A inibição do RANKL pelo Desonumab já havia sido descrita anteriormente em estudos pré-clínicos, mostrando aumento da massa óssea, com sugestão de uso a cada seis meses. O uso por tempo prolongado (dois anos) em mulheres pós-menopausadas foi realizado por Bone e colaboradores, e revelou novos dados acerca do tratamento para osteoporose.

Os investigadores estudaram 332 mulheres osteopênicas (DMO lombar entre -1.0 e -2,5 DP) que foram randomizadas para utilizar 60 mg de Desonumab, SC, a cada 6 meses ou placebo, divididas em dois grupos, com mais de 5 anos ou com menos 5 anos de menopausa. O desfecho final primário foi a mudança de densidade mineral na coluna lombar e secundários foram as modificações na densitometria mineral óssea do fêmur, rádio distal e corporal total, as mudanças na densitometria volumétrica, na análise estrutural e marcadores de remodelação, além da segurança da medicação.

Os ganhos de massa óssea na coluna lombar foram bem evidentes com o Desonumab (6,5% versus -0,6%; com p<0.0001) independente do tempo de menopausa, assim como nos outros sítios estudados (p< 0.0001). Houve aumento na densitometria volumétrica no rádio distal (p<0.001), melhora na análise estrutural e diminuição nos marcadores de reabsorção (C-telopeptídeo e fosfatase ácida tartrato-resistente ) e formação óssea (propeptídeo do procolágeno 1 aminoterminal).

Apesar de não haver diferença estatisticamente significante entre o Desonumab e placebo em relação a efeitos colaterais, mais indivíduos com a medicação apresentaram infecções e necessitaram de internação hospitalar que o grupo placebo. O número de fraturas clínicas foi pequeno, sendo maior no grupo placebo, mas a diferença não mostrou significância estatística.

Os dados desse estudo confirmam um predomínio de ação do Desonumab no osso cortical, que tende a declinar mesmo em tratamento com bisfosfonatos. Também reforçam a ação da medicação tanto na menopausa precoce como na tardia, apesar dos distintos padrões de perda de massa óssea de cada fase. Entretanto os maiores índices de infecções e aumento das internações precisam ser mais bem monitorados nos usuários do Desonumab.

Considerando a praticidade, com apenas duas aplicações anuais, o baixo índice de efeitos colaterais e ação específica do Desonumab, seu uso clínico parece promissor. Contudo a necessidade de estudos mostrando redução de fraturas é fundamental para sua aplicação prática, inclusive comparando com os bisfosfonatos, principal recurso terapêutico para osteoporose, com ação comprovada na redução de fraturas.


Escrito por admin em julho 28th, 2008 :: Arquivado em Metabolismo Ósseo

Osteogênese Imperfeita em Crianças e Adolescentes

Artigo comentado pelo Dr. Hamilton Cabral de M. Filho, do Departamento de Metabolismo Ósseo Mineral da SBEM

“Long-bone changes after pamidronate discontinuation in children and adolescents with osteogenesis imperfecta”.
Autores: Frank Rauch, Sylvie Cornibert, Moira Cheung, Francis H. Glorieux.
Revista: Bone 40 (2007) 821-827

Os pacientes com osteogenesis imperfecta grave (tipos III ou IV) têm sido tratados com pamidronato de sódio (PS) de acordo com protocolo estabelecido pelo dr. Glorieux. Neste protocolo o PS é administrado por via endovenosa em ciclos de 3 dias a cada 2, 3 ou 4 meses e na dose de 0,5; 0,75 ou 1,0 mg/kg/dia nos pacientes menores que 2 anos, entre 2 e 3 anos ou com mais de 3 anos, respectivamente. O PS deve ser diluído em SF (10 mL de soro para cada 1 mg de PS), sendo infundido em 4 horas. O PS é um aminobisfosfonato capaz de reduzir a atividade osteoclástica e de aumentar a atividade osteoblástica, além de conferir aos cristais de hidróxiapatita resistência à sua mobilização. Estes efeitos resultam em redução da modelação e da remodelação óssea. As crianças tratadas com PS têm apresentado melhora clínica, com redução das dores ósseas, melhores condições para deambulação e incremento da densitometria óssea. No entanto, não se sabe ainda por quanto tempo o tratamento com PS deve ser mantido, bem como os efeitos adversos do tratamento prolongado, uma vez que os bisfosfonatos podem reduzir a remodelação óssea para valores subnormais, interferindo com um importante mecanismo fisiológico de manutenção da qualidade do tecido ósseo.

Este artigo teve como objetivo a avaliação dos efeitos da suspensão do tratamento com PS sobre o rádio e a coluna lombar em pacientes com osteogenesis imperfecta. Foram avaliadas 23 crianças com osteogenesis imperfecta tipos I, III ou IV em tratamento com PS por período mínimo de 3 anos e que foram acompanhadas por pelo menos 18 meses após a suspensão do medicamento. Foram avaliadas a metáfise distal e a diáfise do rádio através de tomografia computadorizada periférica quantitativa, no momento da suspensão do PS e 18 meses após. A densidade mineral óssea lombar foi avaliada através de DEXA, também nos dois momentos.

Os pacientes (12 meninas e 11 meninos, idade média de 13,4 anos) haviam recebido PS em média por 5,8 anos. A suspensão do PS levou à redução significativa do conteúdo mineral ósseo (BMC) lombar, da área de projeção lombar e da densidade mineral óssea (BMD) areal lombar, avaliados através de DEXA. A suspensão do PS levou também à redução significativa do BMC da metáfise e da diáfise do rádio, da BMD volumétrica metafísária trabecular e total do rádio e da espessura cortical da diáfise do rádio, avaliados por meio da tomografia computadorizada periférica quantitativa. Nos pacientes onde a placa de crescimento do rádio distal estava fechada não houve mudança no BMC da metáfise do rádio, ao contrário da evidente redução encontrada nos pacientes com placa de crescimento aberta.

Os autores observaram que a suspensão do PS levou ao rápido declínio da massa óssea e da densidade na metáfise do rádio, nos pacientes ainda em crescimento. As mudanças observadas na metáfise radial foram mais pronunciadas do que as encontradas na diáfise radial ou na coluna lombar. A explicação para estes resultados pode residir no fato de que 18 meses após a suspensão do PS a diáfise ainda contém tecido ósseo formado durante a exposição do organismo ao PS, enquanto que a metáfise contém tecido ósseo formado mais recentemente e portanto sem a influência do PS. Nos pacientes onde o crescimento do rádio já havia se completado, o mesmo tecido ósseo foi avaliado tanto no momento da suspensão do PS quanto 18 meses após, justificando a ausente modificação dos parâmetros avaliados. Estas observações sugerem que, nos pacientes em crescimento, a administração prévia de PS tem pouco efeito sobre o tecido ósseo formado após a última infusão da droga. Portanto, nos ossos longos o efeito da suspensão do tratamento com PS depende intensamente da velocidade de crescimento. O tecido ósseo formado durante a ausência do tratamento com PS é mais frágil do que aquele que sofreu os efeitos do medicamento e com isso pode ser criada na interface metáfise – diáfise zona com maior fragilidade óssea, com predisposição para fraturas nesta região. Os autores acreditam que pode ser útil a manutenção do tratamento com PS até a conclusão do crescimento com a intenção de se evitar a criação de longos segmentos de tecido ósseo “não tratado” nas extremidades dos ossos longos, e sugerem que novos estudos são necessários para que esta questão seja melhor avaliada.

Acredito que este artigo traz grande contribuição a respeito de até quando tratar crianças e adolescentes com osteogenesis imperfecta com PS. Com base neste artigo, e até que outros confirmem ou não estes resultados, parece mais prudente manter o tratamento com PS nos pacientes com osteogenesis imperfecta grave (tipos III e IV) até o estabelecimento da altura final. Segundo discussão realizada em junho de 2007 em Montreal durante a “4th International Conference on Children’s Bone Health” foi sugerido que após quatro anos de uso do PS de acordo com o protocolo estabelecido pelo Dr. Glorieux, o PS pode ser administrado a cada 6 meses na dose de 1mg/kg/dia (3mg/kg/ciclo), até o estabelecimento da altura final.


Escrito por admin em maio 21st, 2008 :: Arquivado em Endocrinologia Pediátrica,Metabolismo Ósseo