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Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Approach to the Patient with an Adrenal Incidentaloma

Lynnette K. Nieman

Program on Reproductive and Adult Endocrinology , the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development, National Institutes of Health, Bathesda, Maryland 20892-1109

O artigo publicado em 2010  estabelece um algoritmo para orientar a condução dos incidentalomas adrenais, que se caracterizam como massas adrenais descobertas ao acaso por meio de exames abdominais de imagem, na investigação de distúrbios não relacionados a patologias adrenais.

A freqüência dos incidentalomas aumenta com a idade, chegando a 7% nos idosos a partir de 70 anos. Após o encontro do incidentaloma, quatro aspectos definem a conduta a ser tomada : a massa adrenal possui características  benigna ou  maligna ?  Funcionante ou  não funcionante ?

O carcinoma de adrenal é raro. Os achados durante a realização de tomografia computadorizada ajudam a diferenciar as lesões malignas das benignas. Classicamente, os tumores grandes (> 6 cm) e com bordos irregulares, presença de calcificações e “washout”  lento do contraste são achados  mais propícios a malignidade. A ressonância nuclear magnética com contraste associada à técnica do deslocamento químico (“chemical shift”) oferece a mesma eficácia da tomografia computadorizada na diferenciação de tumores adrenais benignos e malignos. É o conteúdo lipídico intracitoplasmático que permite esta diferenciação. Tipicamente, os carcinomas apresentam isossinal ao fígado nas seqüências ponderadas em T1, hipersinal em T2 e não apresentam queda do sinal nas seqüências “fora de fase”. Os adenomas (principalmente aqueles mais ricos em gordura) apresentam hipossinal ao fígado em T2 e importante queda do sinal nas seqüências “fora de fase”.

Devido a grande mortalidade associada ao carcinoma adrenal a maioria dos centros recomendam retirada das lesões > que 4cm.  Nas lesões < 4cm  a avaliação radiológica definirá a suspeita entre lesões malignas e benignas  e posterior avaliação hormonal.

  • Na avaliação funcional – 60% a 80% são de tumores não funcionantes.
  • O restante são tumores produtores de cortisol, catecolaminas, aldosterona e, mais raramente de andrógeno.
  • A produção subclínica de andrógenos é a mais rara porque, em geral, ele se expressa clinicamente e não é detectado como incidentaloma.
  • Todos os pacientes candidatos a cirurgia deverão ser avaliados para a possibilidade de feocromocitoma.
  • Não há consenso para a escolha de um melhor teste para avaliar a presença de hipercortisolismo subclínico,  porém a utilização de 1 mg de dexametasona ou cortisol noturno tem se mostrado superior em relação à coleta de cortisol livre urinário.

Outra questão abordada no artigo é a indicação da realização de biópsia aspirativa (fine-needle aspiration).

  • Deve ser reservada para pacientes oncológicos onde a suspeita de lesão metastática adrenal é alta, o estudo citológico não tem poder de diferenciar os adenomas dos carcinomas adrenais.
  • Pode ser útil na suspeita de processo infeccioso adrenal.
  • Não indicada na suspeita e/ou possibilidade de feocromocitoma.

Não há consenso quanto ao “follow-up” apropriado para as situações onde a decisão foi por acompanhamento da lesão adrenal.

  • Nas situações de lesões não funcionantes, com características benignas, pequenas ( <3 cm), “washout” >50%, a reavaliação com novas imagens e bioquímica deve ser feita anualmente  por 2 anos ou mais, a depender do julgamento clínico.

Boa Leitura!

Ana Rosa Pinto Quidute
Especialista Titulada SBEM ; Mestrado em Ciências Médicas pela USP-Ribeirão Preto.
Médica Assistente do Serviço de Endocrinologia e Diabetes – Universidade Federal do Ceará.
Novas Lideranças – Departamento de Adrenal SBEM.


Escrito por admin em dezembro 10th, 2010 :: Arquivado em Adrenal
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