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Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Prova do TEEM: 6ª Parte

Caros colegas,

Nesta postagem, vou descrever a indicação da Dra Mônica de Oliveira, do Departamento de Endocrinologia Feminina e da Comissão de Valorização de Novas Lideranças. “Fresquinos”, ela sugere os artigos a respeito de Síndrome de Turner publicados recentemente na Fertility Sterility. Segundo a Dra. Mônica, “sempre cai uma ou mais questões no TEEM”. Listo-os abaixo.

1 – Genetic considerations in the patient with Turner syndrome—45,X with or without mosaicism.

Quincy Zhong, Lawrence C. Layman.

Fertility Sterility 2012: 98(4), Pages 775-779

2- The patient with Turner syndrome: puberty and medical management concerns.

Luisa Gonzalez, Selma Feldman Witchel

Fertility Sterility 2012: 98(4), Pages 780-786

3 – Fertility, pregnancy, and medical management of Turner syndrome in the reproductive years

Megan Freebury Karnis

Pages 787-791

4 – Reproductive medicine and Turner syndrome: ethical issues.

David Wasserman, Adrienne Asch

Fertility Sterility 2012: 98(4), Pages 792-796

Destes, vou destacar o número 2, que descreve vários aspectos do manejo de portadoras de Síndrome de Turner, como o uso de GH, a terapia de reposição hormonal na puberdade, a saúde óssea, os distúrbios de comportamento e desenvolvimento, as condições autoimunes associadas, as complicações cardiovasculares e as malformações renais. Transcrevo abaixo um interessante quadro-resumo do manejo de acordo com a idade das portadoras:

 

Idade

Tratamento proposto

Infância – Considerar o tratamento com GH quando a velocidade de crescimento declinar;- Iniciar monitorização para doença tireoidiana autoimune
8-10 anos – Iniciar orientações (antecipatórias) sobre a indução de puberdade- Obter a história familiar de condições associadas com trombofilia
9-11 anos – Dosar gonadotrofinas (LH e FSH) para avaliar a falência ovariana- Considerar dosar as concentrações de inibina e hormônio antimülleriano

– Realizar radiografia de mãos e punhos para idade óssea para garantir idade óssea > 8 anos e, dessa forma, interpretar corretamente as concentrações de gonadotrofinas

12-14 anos – Iniciar baixas doses de estrógeno em monoterapia, preferencialmente por via transdérmica;- Iniciar a discussão a respeito de fertilidade e opções reprodutivas;

– Encorajar a paciente para continuar tal discussão em casa

Próximos 1-2 anos – Aumentar gradualmente a dose de estrógeno
13-16 anos – Adicionar progesterona
17-50 anos – Continuar a terapia hormonal cíclica- Monitorizar status glicêmico (se precisar, iniciar esta monitorização mais cedo)
50 anos – Considerar a continuação ou não da hormonioterapia de acordo com os fatores de risco (idêntico a mulher que inicia a menopausa)

Acho que vale a pena a leitura desse e dos demais artigos.

Grande abraço

André Gustavo P. Sousa

Comissão de Valorização de Novas Lideranças – SBEM 2011-2012

Mônica de Oliveira

Departamento de Endocrinologia Feminina – Comissão de Valorização de Novas Lideranças


Escrito por admin em outubro 29th, 2012 :: Arquivado em Endocrinologia,Endocrinologia Feminina,Para prova do TEEM,Prova do TEEM
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Advances in Male Contraception. Endocrine Reviews, June 2008, 29(4):465–493.

Stephanie T. Page, John K. Amory, and William J. Bremner

Comentário por: Dr. Alexandre Hohl
Comissão de Novas Lideranças

Apesar dos avanços significativos nas opções de contracepção feminina dos últimos 50 anos, a população mundial continua a crescer rapidamente. Cientistas e ativistas apontam para os devastadores impactos ambientais que o aumento da população (mais de 6,5 bilhões atualmente) tem causado, incluindo o aquecimento global a partir do mundo desenvolvido e da fome e das doenças em regiões menos desenvolvidas. Além disso, quase metade de todas as gravidezes é indesejada ou não-planejada.

Claramente, há uma necessidade de outras opções de contracepção. Pesquisas multiculturais demonstram que existem homens com desejo de participar na contracepção e suas parceiras depositam confiança neles para fazê-la. Atualmente, os métodos masculinos incluem a vasectomia e os preservativos, sendo responsáveis por quase um terço de utilização de contraceptivos nos Estados Unidos e em outros países. As vasectomias são altamente eficazes, com uma taxa de insucesso de menos de 1% e uma baixa incidência de complicações. Os preservativos são usados atualmente como método de contracepção por cerca de 20% dos casais nos Estados Unidos da América; apesar disso, relatórios das Nações Unidas mostram que apenas 5% dos casais no mundo inteiro dependem de preservativos masculinos para contracepção.

Recentes pesquisas clínicas têm demonstrado a alta taxa de eficácia (90-95%) para contraceptivos masculinos baseados em hormônios. As principais linhas de pesquisa são:

Nome genérico

Rota e Intervalo de Administração

Potenciais preocupações como
contracepção

Undecanoato de
testosterona

Oral,
2 vezes ao dia

Duas
tomadas ao dia, duração variável e curta

17α-Metiltestosterona

Oral,
2 vezes ao dia

Hepatotoxicidade

Enantato de
testosterona

Intramuscular,
1 a 2 semanas

Injeções
podem ser dolorosas, altos picos séricos

Decanoato de
testosterona

Intramuscular,
4 a 6 semanas

Injeções
podem ser dolorosas, altos picos séricos

Undecanoato de
testosterona

Intramuscular,
8 a 12 semanas

Injeções
podem ser dolorosas

Implante de
testosterona

Subcutâneo,
4 meses

Procedimento
cirúrgico, possível extrusão

Adesivo de
testosterona

Transdérmico
não-escrotal, diário

Pobre
eficácia, freqüente irritação de pele

Gel de
testosterona

Transdérmico,
diário

Possível
passagem para a parceira, aplicação diária

Gel de
dihidrotestosterona

Transdérmico,
diário

Pobre
eficácia, não aromatizável

Sistema bucal de
testosterona

Bucal,
diário

Uso
clínico muito limitado

Implant MENT

Subcutâneo,
6 meses

Procedimento
cirúrgico, pobre supressão da espermatogênese

Testosterona +
inibidor de 5 α redutase

Injeção
1 a 2 semanas + pílula oral diária

Uso
de inibidor de 5 α redutase não mostra benefício adicional

Os atuais obstáculos para expandir a utilização incluem métodos de liberação limitada e a percepção dos obstáculos culturais. No entanto, os avanços nas medicações orais e injetáveis são motivos de otimismo para que estes obstáculos possam ser superados. Métodos não-hormonais, como os compostos que atuam na motilidade espermática, são atraentes na sua teórica promessa de especificidade para a reprodução. Estudos de genes e de proteínas continuam a identificar potenciais alvos para esta abordagem. Tais agentes não-hormonais provavelmente irão mostrar seus ensaios clínicos em um futuro próximo. Muitos avanços têm sido feitos no entendimento da fisiologia reprodutiva masculina; os esforços combinados de cientistas, médicos, indústrias, agências governamentais e de financiamento poderão fazer um contraceptivo masculino eficaz e reversível, sendo uma opção para o planejamento familiar ao longo da próxima década.


Escrito por admin em agosto 25th, 2008 :: Arquivado em Endocrinologia Feminina