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Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Aromatase cytochrome P450 enzyme expression in human pituitary

Pinar Kadioglu, Gokhan Oral, Muge Sayitoglu, Nevin Erensoy, Berna Senel, Nurperi Gazioglu, Aydin Sav, Gursel Cetin and Ugur Ozbek

Pituitary 2008;11:29-35.

Por: Dra Carolina G. S. Leães, Neuroendocrinologia

A aromatase (P450AROM) é uma enzima do citocromo P450 que converte testosterona em estradiol, e acredita-se que esta conversão possa ser importante tanto na fisiologia normal hipofisária quanto na tumorigênese de prolactinomas.

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Escrito por admin em dezembro 3rd, 2008 :: Arquivado em Neuroendocrinologia
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Preoperative octreotide treatment in newly diagnosed acromegalic patients with macroadenomas increases cure short-term postoperative rates: a prospective, randomized trial.

Sven M. Carlsen, Morten Lund-Johansen, Thomas Schreiner, Sylvi Aanderud, Øivind Johannesen, Johan Svartberg, John G. Cooper, John K. Hald, Stine L. Fougner, Jens Bollerslev.

J Clin Endocrinol Metab 2008 93: 2984-2990

Por: Dra Carolina G. S. Leães, Neuroendocrinologia

Neste trial sobre o tratamento pré-operatório com octreotide em pacientes com acromegalia por adenoma hipofisário recém-diagnosticada, os autores ressaltam a necessidade de avaliar novas estratégias que possam melhorar os resultados de cura cirúrgica na acromegalia. O objetivo do estudo foi investigar se o tratamento com octreotide por 6 meses no pré-operatório melhoraria o resultado cirúrgico em pacientes com acromegalia de diagnóstico recente.

Para tanto, por um período de 5 anos (1999-2004), todos os pacientes com acromegalia recém-diagnosticada, entre 18 e 80 anos de idade, foram convidados a participar do estudo. Os autores colocam como critério de exclusão indicação imediata para indicação cirúrgica baseada em critérios clínicos, embora não deixem claro o que seriam estes critérios.

Após avaliação inicial os pacientes foram randomizados a tratamento cirúrgico transesfenoidal direto (n=30) ou pré-tratamento com octreotide 20mg intramuscular a cada 28 dias por 6 meses (n=32) antes da realização da cirurgia transesfenoidal hipofisária. O critério de cura utilizado foi a avaliação dos níveis de IGF-1 no 3º mês após a cirurgia.

De acordo com esse critério, 14/31 (45%) dos pacientes pré-tratados com octreotide e 7/30 (23%) dos pacientes submetidos direto à cirurgia transesfenoidal foram curados, não havendo diferença estatisticamente significativa entre as estratégias de tratamento (p=0,11). Todavia, analisando-se individualmente os subgrupos de micro ou macroadenomas, os autores observaram, nos microadenomas, cura em 1/5 casos pré-tratados e em 3/5 dos casos operados diretamente (p=0,52).

Já nos macroadenomas, observou-se uma taxa de cura significativamente maior entre os pacientes pré-tratados em relação aos submetidos diretamente à cirurgia (13/26, 50% x 4/25, 16%; p=0,017). Os autores concluem que o tratamento pré-operatório com octreotide pode beneficiar pacientes com macroadenomas produtores de GH, melhorando as chances de cura cirúrgica.

Análise crítica por Dra. Nina Musolino: Os autores não observaram diferença estatística entre os grupos na análise de fatores que poderiam ter fator prognóstico como idade e tamanho tumoral, mas em relação aos níveis hormonais os casos encaminhados a pré-tratamento com octreotide apresentavam níveis absolutos de IGF-I significativamente menores, embora esta diferença fosse perdida quando os valores foram transformados em percentual acima do limite da normalidade para sexo e idade.

Além disso, compararam apenas os níveis séricos do nadir de GH após o GTT e não citaram os níveis basais de GH para a comparação. A piora dos resultados nos microadenomas não teve significado estatístico, embora o número de casos fosse pequeno para permitir conclusão. Em hipótese, a redução do microadenoma com o tratamento clínico poderia prejudicar a visualização do tumor pelo cirurgião sendo um motivo teórico para a piora dos resultados neste grupo.


Escrito por admin em setembro 11th, 2008 :: Arquivado em Neuroendocrinologia

“Apoplexia de adenoma hipofisário: uma revisão”, comentado por Andrea Glezer

O termo “apoplexia”, tem origem grega significando perda súbita das funções cerebrais. Atualmente, é usado para descrever uma situação de acúmulo de líquido ou sangue, em tecido ou órgão. A apoplexia de um tumor hipofisário refere-se à síndrome caracterizada por sinais e sintomas decorrentes de rápida expansão do conteúdo da sela túrcica, resultado de hemorragia ou infarto de um adenoma preexistente da região.

Os diagnósticos diferenciais são isquemia hipofisária após período prolongado de hipotensão, como por exemplo Síndrome de Sheehan, e hemorragia de cisto de Rahtke. O diagnóstico é clínico e não patológico ou de imagem. Estudos de ressecção cirúrgica ou post mortem indicam sinais de hemorragia pituitária, sem correspondente clínico, em até 25% dos adenomas. Alguns autores denominam essa situação de apoplexia subclínica ou assintomática.

Prevalência: difícil de ser estabelecida, em geral, a prevalência advém de séries cirúrgicas. As características clínicas são detalhadas na tabela abaixo.

Patogênese: ainda não está bem estabelecido se a origem é uma hemorragia ou um infarto hemorrágico. As peculiaridades anatômicas da região selar parecem contribuir para a apoplexia. A glândula normal recebe sangue arterial e portal, enquanto que os adenoma das região recebem predominantemente sangue arterial, e estão sujeitos a maior pressão. A rede arterial dos adenomas é imatura, em geral, apresentando fenestrações e membranas fragmentadas, contribuindo para suscetibilidade a hemorragias. Os macroadenomas são mais suscetíveis à apoplexia.

Fatores precipitantes: em mais de 60% dos casos, a apoplexia ocorre em indivíduos previamente assintomáticos e sem diagnóstico prévio de adenoma hipofisário. No entanto, cerca de 30% apresentavam fatores predisponentes, tais como: traumatismo craniano, hipotensão, hipertensão arterial, irradiação prévia, cirurgia cardíaca, terapia anticoagulante, uso de agonistas dopaminérgicos e testes dinâmicos para avaliação da função hipofisária.

Fisiopatologia: o rápido aumento da pressão intrasselar pode causar:

• Compressão do tecido hipofisário normal e de sua vascularização, podendo causar hipopituitarismo

• Compressão de estruturas vasculares e nervosas adjacentes: lateralmente o seio cavernoso (carótida, III, IV, V e VI pares cranianos), superiormente o quiasma óptico e inferiormente, podendo causar fístula liqüórica

• Meningite química, pela presença de sangue ou tecido necrótico no espaço subaracnóideo

O sintoma mais freqüente é a cefaléia, presente em cerca de 93% dos casos, em geral súbita, intensa, que pode ser acompanhada de náuseas e vômitos. O acometimento de pares cranianos e queixas visuais ocorrem em cerca de 70% dos pacientes, enquanto que sinais de meningite acometem 20%.

Os diagnósticos diferenciais compreendem enxaqueca, trombose de seio cavernoso, hemorragia subaracnoidea por aneurisma e meningite bacteriana.

Em geral, há uma disfunção pituitária ao menos parcial ao diagnóstico. As séries da literatura relatam deficiência de ACTH em 40% a 100%, de TSH em 25% a 80%, e de gonadotrofinas em 60% a 100%. Pode ou não haver recuperação do hipopituitarismo após o tratamento cirúrgico da apoplexia. Níveis séricos normais ou elevados de prolactina são um bom indício para essa recuperação.

Imagem: a tomografia computadorizada sem contraste evidencia o sangramento como uma imagem hiperdensa, em até 3 dias. A ressonância magnética (RM) apresenta diversas vantagens, tais como, diferenciar o tempo de sangramento, avaliar as estruturas adjacentes e identificar a presença de um aneurisma, diagnóstico diferencial. Na hemorragia hiperaguda (1 a 2h), pode não haver qualquer sinal na RM ou o tumor pode estar isointenso em T1 e hipointenso em T2, alterações que se intensificam após 3h. Na fase subaguda, há aumento de sinal em T1 e o hiposinal em T2 se mantem.

Tratamento: o diagnóstico precoce, a reposição com glicocorticóides, a terapia clínica de suporte e a melhora das técnicas cirúrgicas foram responsáveis pela redução da mortalidade. O tratamento cirúrgico deve ser realizado, se não houver contra-indicação, na presença de sintomas clínicos importantes, especialmente se houver déficites neurológicos e hipopituitarismo. O tratamento conservador pode ser indicado em pacientes com quadro clínico mínimo ou com melhora significativa e rápida após a administração de glicocorticóides. A chance de melhora neurológica, em especial visual, é muito mais significativa se o tratamento cirúrgico ocorrer em até 1 semana do ictus.

Fonte: J Intensive Care Med 2008;23:75

Pituitary Tumor Apoplexy: A Review. Nawar e cols


Escrito por admin em setembro 3rd, 2008 :: Arquivado em Neuroendocrinologia