Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Devemos Incluir a Esteato-Hepatite Não-Alcoólica (NASH) na Definição da Síndrome Metabólica?

Giovanni Musso, MD1, Roberto Gambino, MD2, Simona Bo, MD2, Barbara Uberti, MD2, Giampaolo Biroli, MD2, Gianfranco Pagano, MD2 and Maurizio Cassader, MD2

1 Gradenigo Hospital, Turin, Italy
2 Department of Internal Medicine, University of Turin, Turin, Italy

Revista: Diabetes Care 31:562-568, 2008 (edição de março/2008).

Por: Dr. André G. Daher Vianna – Comissão de valorização de novas lideranças.

Este artigo coloca em xeque os critérios do Adult Treatment Panel (ATP III), atualmente os mais utilizados para o diagnóstico de resistência insulínica (RI) e risco cardiovascular. A esteato-hepatite não-alcoólica (NASH) está reconhecidamente associada à RI e é um fator de risco cardiovascular independente. O estudo apresentado fez uma comparação entre os critérios do ATP III versus a presença de NASH para a identificação de RI, estresse oxidativo e disfunção endotelial em pacientes não-obesos e não-diabéticos.

Foram avaliados o HOMA-IR, nitrotirosina (medida do estresse oxidativo), moléculas solúveis de adesão (ICAM-1, VCAM-1 e selectina-E) e as adipocinas circulantes (TNF-alfa, leptina, adiponectina e resistina) em 197 pacientes. Todos os indicadores foram correlacionados com os critérios do ATP III e com a presença de NASH.

Os resultados mostraram que a presença de NASH foi um indicador melhor que os critérios do ATP III na identificação de RI: sensibilidade 73 vs 38% (P=0,0001); valor preditivo positivo 81 vs 62% (P= 0,035) e valor preditivo negativo 87 vs 74%. Além disso, adicionando a presença de NASH aos critérios do ATP III aumentou ainda mais a acurácia do diagnóstico de RI.

Este estudo de Musso e cols. reforça a necessidade de adotarmos critérios mais sensíveis, específicos e de fácil aplicação para diagnosticar e prevenir as complicações da Síndrome Metabólica. A presença de gordura hepática avaliada por ultra-sonografia e dosagem de transaminases (excluídas outras causas de hepatopatia) foi incrivelmente superior a uma associação de vários fatores (ATP III) na identificação da RI. Se associarmos os dois critérios aumenta-se ainda mais o poder diagnóstico.

Levando-se em conta que o estudo avaliou apenas indivíduos não-obesos e não-diabéticos e que a obesidade e a diabetes são fatores preponderantes para a RI, podemos sugerir que os resultados do estudo são conservadores. Se avaliássemos indivíduos diabéticos e/ou obesos, o critério apresentado (presença de NASH) seria possivelmente mais sensível e específico na identificação da Síndrome Metabólica.


Escrito por admin em março 11th, 2008 :: Arquivado em Síndrome Metabólica